Muitos anos de mercado fizeram com que a extinta revista nacional de RPG, Dragão Brasil, possuísse um rico conjunto de aventuras e cenários. Para comemorar a quinquagésima edição, os responsáveis pela publicação decidiram englobar todos estes cenários e criar o universo de Tormenta. Logo Tormenta se tornou (segundo seus criadores, pelo menos) o mais jogado sistema de RPG do Brasil. O cenário criativo e rico angariou um legião de fãs e até rendeu uma das mais bem sucedidas série de quadrinhos do Brasil, Holy Avenger. Anos se passaram, o cenário se expandiu, mudou de editora mas curiosamente algo continuava um mistério: de onde vinha a Tormenta, que dava nome ao jogo?
O dever de explicar a origem da praga que assola o mundo de Arton foi dada ao talentoso Leonel Caldela, que escreveu uma aventura de fantasia medieval com direito a um grupo de aventureiros de diferentes "classes" - o guerreiro, o mago, o ladino - masmorras e muitos monstros. Mas a história de o Inimigo do Mundo é mais do que isso. Antes de tudo, esqueça o mundo alegre de Holy Avenger. A Arton que Caldela apresenta é cruel e assustadora. As diferentes nações são perigosas para estrangeiros e a vida de aventureiro é extremamente violenta. Os personagens são esféricos, suas motivações são complexas e o seus passados são sombrios.
O enredo conta a história deste grupo de poderosos aventureiros e sua busca por um sanguinário assassino, que é bem mais do que parece ser. Esta caçada leva ao grupo a lugares terríveis e as consequências dela serão terríveis para o mundo todo. Sem estragar a surpresa, posso adiantar que os aventureiros serão os responsáveis (ou assim serão levados a acreditar) pela chegada da Tormenta ao mundo. Por isso não espere um final feliz.
Aqueles que não estão familiarizados com o RPG Tormenta ou a revista Holy Avenger não têm porque ficar com medo do livro. Ele é completamente auto-contido (apesar de fazer parte de uma trilogia) e não pede do leitor absolutamente nenhum conhecimento prévio deste universo. Claro que aqueles que conhecem serão presenteados com as participações especiais de algumas das figuras mais icônicas de Arton.
Falando tecnicamente, o trabalho de Caldela, se não é um primor, é muito bem feito. A narrativa é bem compassada e provavelmente vai prender o leitor num leitura dinâmica e interessante. O enredo conta com ótimas reviravoltas e a participação dos Deuses na história, sempre observando e nunca interferindo é uma das coisas mais legais do livro.
A segunda edição do livro, que saiu recentemente, conta também com alguns extras, como um pequeno making of, ilustrações e uma pequena prévia da sequência da história, O Crânio e o Corvo. Tanto este como a última parte da trilogia, O Terceiro Deus, já foram lançados pela editora Jambô e certamente serão minhas próximas leituras.
Nota: 9,5
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